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Cinema e Astrologia
o que um tem a dizer do outro?
Cid de Oliveira
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Astrólogo
Para os que estão acostumados a escutar falar da Astrologia somente nas colunas diárias de horóscopo no jornal, pode parecer estranho a idéia de que esta prática tem alguma relação com o cinema e que pode servir de ferramenta para ampliar a compreensão da linguagem cinematográfica, bem como a de qualquer outra forma de arte verdadeira. Banalizada no mundo contemporâneo, poucos são o que conhecem a Astrologia como um estudo simbólico, capaz de fornecer uma possibilidade de compreensão mais profunda sobre a alma humana, seus planos e aspectos, o que proporciona a identificação dos problemas essenciais abordados também nos filmes e em outras obras artísticas de grande alcance.
Os símbolos utilizados pela Astrologia, principalmente os relacionados aos sete planetas visíveis a olho nu, não são criações aleatórias do nosso tempo nem são frutos de uma única civilização. Como forma de autoconhecimento, o alcance desta ciência milenar está na capacidade de isolar alguns planos que são imutáveis na alma, independente do tempo e do lugar no qual as pessoas viveram, e descobrir suas características e formas de manifestação, sejam elas positivas ou negativas. O gráfico do mapa astrológico possibilita a identificação das deficiências e trunfos que cada pessoa tem nos setores de sua pisque - como no da força, representado por Marte; do afeto, por Vênus, da inteligência, por Mercúrio, e assim por diante.
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Mas e no cinema? Qual seria a contribuição da Astrologia para a compreensão de um bom filme? Tradicionalmente, a arte é tomada como uma forma de apreensão e expressão da beleza do mundo, ajudando a construir uma ponte entre o homem e o Sagrado. Neste sentido, ela não é uma simples materialização da visão particular de um único artista sobre a vida. Para o astrólogo Cid de Oliveira, a verdadeira obra de arte é aquela que, ao expressar uma verdade, não a diz explicitamente, mas a menciona veladamente. Neste caso, a música, a poesia ou qualquer outra forma artística são capazes de produzir um súbito clarão sobre a vida, empurrando as pessoas a descobrirem esta verdade sozinhas.
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Como reunião de todas as artes, o cinema é, no mundo contemporâneo, uma das mais populares e acessíveis ferramentas que podem ser utilizadas neste sentido. Claro que aqui não entram os filmes de fácil digestão, cujos motivos comerciais superam os artísticos, mas aqueles que realmente atingem questões cruciais da vida. Para compor uma obra com tal alcance, os bons cineastas utilizam dos símbolos o tempo inteiro, mesmo que não tenham consciência disto, inclusive símbolos astrológicos. Por si mesma, uma boa obra de arte já tem o poder de fazer bem à alma, mas a interpretação e explicação das alusões contidas nos filmes podem levar o indivíduo a aproveitar ao máximo aquilo que lhe foi apresentado na tela, na medida em que sua compreensão se torna mais consciente e direcionada.
Também fica mais fácil compreender a Astrologia depois de identificar os seus conceitos abstratos materializados através de um personagem, expressos num poema ou numa melodia. Em uma aula sobre Astrologia, por exemplo, um professor pode explicar o conceito do signo de Touro falando da porção de determinação e paciência que todas as pessoas precisam trazer dentro de si, mas certamente sua explanação ficaria muito mais rica se ele conseguisse demostrar este conceito em alguma obra artística. O astrólogo Eduardo Maia, diretor da Academia Castor & Pólux e coordenador de um grupo sobre simbolismo no cinema, conhece muito bem a utilização desta técnica. Para falar de Touro, por exemplo, Maia recomenda o filme chinês "Nenhum a menos", de Zhang Yimou, a história de uma adolescente de 13 anos que substitui um professor de uma escola pobre do interior, com a obrigação de não deixar que nenhum aluno abandone os estudos. A obstinação da personagem é tão comovente que se torna capaz de acender no telespectador a consciência do quanto cada um precisa ser perseverante para cumprir a própria travessia, cheia de obstáculos, cansaço e imprevistos. O astrólogo coloca que Touro traz o conceito do "caminhar sem se deter", perfeitamente expresso em várias cenas do filme, mas principalmente naquela em que a menina enfrenta à pé uma estrada que vai de sua vila até uma cidade grande, onde busca recuperar um aluno perdido.
No mesmo sentido da análise de "Nenhum a menos", Eduardo Maia realiza trabalhos com diversos filmes, também associando o período de lançamento das obras com as necessidades mais freqüentes das pessoas naquele instante.
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Caráter e Saturno - Ondas do Destino e Netuno
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É o caso do De olhos bem fechados, último filme de Stanley Kubrick, que fala sobre a "descida aos infernos" que a alma precisa enfrentar para livrar-se dos desejos desenfreados, usando os símbolos da Lua e de Plutão. Já o holandês Caráter, de Mike Vom Diem, é para ele uma aula sobre Saturno, numa abordagem dos limites que precisamos enfrentar para estruturar a vida e ter firmeza de personalidade. Outro filme que compõe o repertório deste grupo de estudos dirigido pelo astrólogo é Ondas do Destino, de Lars Von Trier, excelente para os que querem entender um pouco mais sobre o sentido da doação e da santidade, baseado nas atribuições de Netuno.
Cid de Oliveira é um profissional que também se dedica ao simbolismo que está por detrás das obras cinematográficas, mantendo inclusive um curso virtual sobre o tema, aqui no site da Porto do Céu. Muitas vezes sem citar explicitamente a Astrologia, mas construindo os seus textos baseados na simbólica dos planetas, bem como na de outras ciências tradicionais, o astrólogo busca traduzir gestos, ângulos de filmagem e falas para um sentido mais amplo. No seu trabalho sobre o Carteiro e o Poeta (para ler o texto completo, clique aqui), por exemplo, Cid traça um estudo sobre a poesia, as formas que temos de compreedê-la e vivenciá-la em nosso cotidiano.
Para desenvolver um trabalho embasado e consistente nesta área, é necessário que o estudioso possua uma boa bagagem de conhecimento simbólico, astrológico e filosófico, mas qualquer pessoa interessada no tema pode começar a desenvolver sua capacidade interpretativa lendo as histórias da Mitologia, pesquisando as imagens utilizadas nas religiões e na Astrologia, a fim de traçar paralelos entre os símbolos reconhecidos na maioria das civilizações e sua manifestação através de personagens e histórias. Este exercício não só ajuda aqueles que querem compreender o estudo dos astros através de um ângulo mais profundo, quanto para os que gostariam de conhecer uma abordagem mais significativa de uma obra cinematográfica.
Cid de Oliveira é astrólogo.
Eduardo Maia é diretor e fundador da Academia Castor & Pólux e fundador do Sindicato dos Astrólogos do Estado de Pernambuco (SINASPE).





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