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Uma grande cruz no céu
Roberta Tótora
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Editora da Porto do Céu
Eclipses solares acontecem, pelo menos, duas vezes por ano, mas a configuração dos planetas que esteve estampada no céu de 11 de agosto de 99 tornou o último obscurecimento do sol neste século diferente de todos os outros já estudados pela Astrologia: os aspectos de conflitos e crises entre os planetas formaram uma cruz e um quadrado quase perfeito no mapa astrológico deste eclipse, ligando Sol, Lua, Marte, Saturno e Urano. "Por mais longe que se possa pensar no passado e, com certeza, nos últimos 2 mil anos, não se formou uma configuração semelhante", afirma o astrólogo francês Patrick Giani.
Para o pernambucano Ronaldo Castro, a cruz entre os planetas formada no dia 11 de agosto é o ponto mais importante dentro de um contexto de transição pelo qual o mundo está passando, sendo ainda reforçada pela conjunção exata entre os planetas Marte e Plutão, a ser formada em setembro deste ano. Na cruz do eclipse, dois planetas opostos por natureza, o Sol e Urano, estão em oposição, transitando justamente pelos signos que regem (Sol em Leão, Urano em Aquário). "O eixo que rege a nova era é justamente Aquário e Leão. O mundo não vai acabar, mas o nosso tempo, sim", afirma Castro, referindo-se à transição da era de Peixes, que teve seu início há 2 milênios, para a era de Aquário.
A tensão entre esses aspectos já simboliza, neste tempo que circunda o eclipse, uma grande crise no modo dos homens encararem o mundo, tanto individualmente quanto em conjunto. O inglês Roy Gillet acredita que assuntos cruciais que vinham sendo colocados de lado não mais poderão ser evitados. Tanto as nações quanto os indivíduos serão confrontados com a realidade. Será uma época de decisões e de mudança violenta de estruturas, reforçada pelo simbolismo da transição de milênios. Ele acredita que o rompimento com velhas formas de pensamento, que vêm acontecendo durante todo o século XX, culminará numa crise moral antes do aparecimento de um novo sistema ético.
O conflito gerado pelo ego com o individualismo exacerbado é uma característica muito marcante do panorama mundial nos últimos anos. Uma ótima ilustração é o reforço ao fundamentalismo religioso e o nacionalismo étnico, vistos no caso recente da Iugoslávia. Gillet acredita que tais atitudes fixas podem levar a grande sofrimento, até mesmo a guerras, caso a humanidade não vença o desafio de perceber-se como um só povo, compartilhando as mesmas necessidades.
A sombra do eclipse começou na Índia e terminou
a 600 Km dos Estados Unidos
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O astrólogo Carlos Hollanda, em artigo publicado na Revista Constelar, chama a atenção para os países nos quais passará a sombra do eclipse e as perigosas situações preexistentes que neles precisam ser revistas. A intolerância religiosa e étnica que provocou a tensão militar entre o Paquistão e a Índia e a instabilidade na província de Kosovo são dois exemplos.
Nenhuma situação pode ser antevista pela Astrologia, já que os homens possuem livre arbítrio para construírem o futuro. Assim, podem tomar o eclipse como um sinal de alerta e utilizá-lo para reformular aquilo que anda mal resolvido entre as pessoas e nações.
Roberta Tótora é editora da Porto do Céu.





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