Porto do Céu - Astrologia Signos:
 
   



Netuno em Aquário
Eduardo Maia - Astrólogo

É comum no meio astrológico a confusão entre planeta e signo. Aquário é regido por Urano, mas não pode ser confundido com ele, já que os planetas, planos da nossa psique, possuem características boas e ruins, enquanto que os signos abastecem estes planos e não têm polaridades negativa ou positiva. Aquário representa o conceito da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Com a passagem de Netuno por este faixa do Zodíaco, precisamos ficar atentos a duas coisas: viver a liberdade aquariana sobre a qual temos direito, mas sobretudo, avaliar o significado das nossas crenças (representadas por Netuno).

Depois que as religiões oficiais perderam o forte poder que exerciam sobre as pessoas, muitos estão achando possível a criação de uma fé própria, como se fossem capazes de juntar peças de automóveis diferentes para construir um novo. Até que a prática não é impossível, mas será que este veículo funcionaria bem, sem nenhuma incompatibilidade entre as peças diferentes?!

A crença é produto de uma relação de Netuno, um planeta de um signo receptivo e feminino (Peixes), mas que agora entra em um signo masculino e ativo. É esta a lição que cada um terá que viver: aonde está sendo colocada a sua crença? A nossa cultura contemporânea está criando uma parafernália de sons e imagens programados para nos viciar. Para saber o que isto faz emergir em nossa psique, basta olhar os mitos: as sereias eram monstros marinhos, que encantavam os viajantes através de uma música e beleza hipnotizadoras, para logo em seguida devorá-los. Na Odisséia, há uma passagem na qual o herói Ulisses tem de enfrentá-las.

Toda a tripulação que viajava com ele havia colocado cera nos ouvidos e não olhavam para elas, a fim de se libertarem de toda uma sedução "audiovisual" que os faria abandonar o barco, ao encontro da morte. Ulisses, por sua vez, preferiu ouvir e olhar, mas antes, amarrou-se a um mastro do navio. Quando viu o encanto absurdo dos monstros, ele seria capaz de dar a Ítaca inteira para ficar ali com as sereias, cantando, mas não pôde.

Este mito não é uma passagem histórica, distante de nós pelo tempo e espaço, mas arquetípica, já que "a mitologia não é uma narrativa das origens, mas a origem de toda narrativa". O homem tem necessidade de narrar, para repassar os valores de ordem transcendente ao mundo.

A imensa sonoridade e o arsenal de imagens que atravessamos é o canto das sereias contemporâneo. Como os viajantes da Odisséia, precisamos fechar os ouvidos ou nos agarrarmos a um mastro que nos liberte. Para que tantos celulares, "nets" e "pentiuns"? Precisamos de tantos sons e imagens? Uma imagem precisa de um tempo de absorção, não adianta ver vinte, trinta ou cem filmes em um mês, por exemplo, porque não teremos acesso a nenhuma deles de verdade. Este problema não é uma questão só de mercado, é mais profundo. Se há uma indústria, é porque as pessoas desenvolveram a necessidade de adquirir os produtos que ela oferece. Hoje em dia, já acreditamos que para poder abafar um pouco as frustrações na crença, da falta de inebriação, precisamos deste arsenal audiovisual, que também é crença. O que está emergindo é uma cultura meramente material e quantitativa; já a alma do nosso povo, raízes, História e lendas vão para o fundo do mar...

É claro que precisamos de uma nova sonoridade e uma nova imagem, o que coloco como esquisito é o imenso arsenal que está sendo vendido para ocupar o nosso precioso tempo. É este o canto das sereias contemporâneo que precisamos atravessar, seguros no mastro da nossa missão e da nossa funcionalidade. A questão de encontrar o nosso mastro é cada vez mais individual, após o descobrimento de Netuno. Se a mística é agora responsabilidade de cada um, não adianta culpar ninguém, mas sim, cuidar de si para que ela não seja procurada por um processo ébrio que nos remeteria às miragens da alma, na companhia permanente das sereias...







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