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Ocultações 2001
Roberta Tótora - Editora da Porto do Céu
No dia 06 de janeiro de 2001, como acontece há 20 anos, o astrólogo Eduardo Maia reuniu as pessoas interessadas por Astrologia em Recife para falar sobre o ano que acabava de começar, numa palestra comemorativa ao dia dosReis Magos e também dia mundial do Astrólogo. Buscandofugir de previsões fatalistas, o diretor da AcademiaCastor & Pólux falou dosprincipais fenômenos astrológicos do novo ano,
com ênfase no que cadapessoa teria de compreender para enfrentar bem osdesafios que estavam por surgir. Como símbolo do climaastrológico de 2001, Maia utilizou as cenas de "Dançandono Escuro", filme de Lars Von Trier que, segundoele, fala da "escuridão emocional" que aspessoas e o mundo precisariam vencer para salvar os seusideais. Passados alguns meses, muitas das situaçõesditas naquele dia tomaram forma na vida política, econômicae cotidiana do país. Mas o que ele realmente viu nasconfigurações celestes para este início de milênio eo que elas podem dizer da nossa atual situação?
Durante todos os anos, além de alguns eclipses solares elunares, ocorre no céu um fenômeno chamado Ocultação,que é a passagem da Lua entre a terra e um determinadoplaneta, provocando o momentâneo "desaparecimento"do astro no céu. Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter eSaturno são planetas visíveis a olho nu e, quandoocorre este tipo de alinhamento, é como se elesestivessem eclipsados, da mesma forma que acontece com aLua e o Sol. Normalmente, temos uma média de 5 eclipsese 6 a 12 ocultações a cada ano. Em 2001, estes fenômenosvão acontecer 23 vezes!
Para o simbolismo astrológico, as ocultações são comoblecautes em setores importantes da nossa psique,causados por uma emocionalidade desordenada, afetando, deacordo com o planeta ocultado, alguma esfera da nossavida. Se Saturno estiver sendo ocultado pela Lua, porexemplo, a disciplina e a responsabilidade estarãoenfraquecidas diante das nossas emoções desarmônicas.Como qualquer outro fato astrológico de importância, osimbolismo da ocultação pode ser observado em váriasáreas da realidade, desde na vida de uma pessoa até nosacontecimentos políticos de uma nação.
Individualmente, cada um pode ver em seu Mapa do Céuonde cairão estas ocultações e o que cada uma delasquer alertar. Se um determinado fenômeno astrológicotomado como negativo é inevitável, o que cabe àspessoas é tomar consciência das suas áreas que estãona "escuridão" e levar luz até as mesmas,evitando que a crise gere perdas ao invés de crescimento.Para a vida política e social o principio é o mesmo, sóque na tentativa de trazer soluções aos problemas, oesforço não depende de uma única pessoa.
Eduardo Maia afirma que a atual crise da energia noBrasil, atrelada aos outros problemas enfrentados pelogoverno e pela população, tem uma relação muitoestreita com a análise que fez das ocultações no iníciode janeiro. Saturno e Júpiter serão os astros maisocultados, num total de quinze vezes. O obscurecimento doprimeiro simboliza que uma área naturalmente deficienteno país - relacionada ao cumprimento da palavra e àestruturação do caráter através da responsabilidade edos compromissos - estará mais fortemente obstruídasnos períodos do fenômeno. Já as ocultacões de Júpiterestão ligadas às relações de poder e à sabedoria quepossuímos para reger a nossa história.
Na compreensão da Astrologia, todas as coisas estãointerligadas e até mesmo uma crise econômica ou políticapode estar refletindo um outro tipo de dificuldade, queestá dentro e não fora das pessoas. Desta forma, quandoestoura uma crise, cada um precisa entender-se como parteda engrenagem que a gerou, ao contrário de lançar todaa responsabilidade do problema para terceiros ou paraaqueles que têm o poder nas mãos. Todo mundo possuiresponsabilidade e poder sobre suas próprias coisas -seus estudos, casa, filhos, trabalho - e se uma pessoa nãoestá assumindo devidamente os encargos do que administranem utilizando sua sabedoria para isto, evidente que teráproblemas e será cobrada pela negligência. Quando estafalta de estruturação, disciplina e sabedoria tornam-seuma prática da maioria, como é muito comum no Brasil,os problemas gerados são coletivos e bem mais difíceisde serem solucionados, configurando uma cultura dodesperdício e da falta de limites.
Neste sentido, a situação de agora é um ótimo exercíciopara sairmos da cegueira destes desperdícios e exageros,por exemplo, para encontrarmos, mesmo que "no escuro",as limitações capazes de impedir a total desestruturaçãoda nossa sociedade e também da nossa vida particular.Isto não vale somente para a crise elétrica e da corrupão,mas para todas aquelas que geramos em nós mesmos, aodesperdiçar energia em coisas que não nos sãoessenciais e ao corrompermos nossos valores maisprofundos.
Eduardo Maia ainda ressalta que as indicações nosimbolismo de um dos astros que não serão ocultados em2001, o asteróide Pallas, são opções de uma saídabastante segura para superarmos a crise. Na mitologia,ela é a deusa da justiça e da sociedade, regendo a ética,a cidadania e a cultura. Diferente do irmão mitológicoMarte, que causa guerras sangrentas baseadas na força ena violência, a porção Pallas de uma nação (e tambémde um indivíduo), é aquela que luta pela preservaçãoda verdade. Diante dos recentes episódios políticos esociais no país, cada pessoa precisa ativar esta sua porçãointerna, buscando manter a ética em seu círculo,batalhar por ela e exercer a sua cidadania, exigindo osseus direitos e expulsando a falta de disciplina e rigorem seu cotidiano. Um famoso quadro de Mantegna sobre estadeusa tem já no título uma sugestão muito forte emrelação à atitude individual e coletiva que precisamostomar durante este momento: "Pallas expulsa os víciosdo Jardim das Virtudes". No Jardim guardado porAthena, estão a Prudência, a Força, a Justiça, a Fé,a Caridade e a Esperança. Poluindo este espaço, que éinterior e natural de todo ser humano, estão sendodespejadas várias espécies de vícios, às vezes nãodeclarados, como a infidelidade, inconstância, mentira,inveja e covardia.




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