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Mapa natal de prematuros
Cid de Oliveira
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Astrólogo
(Cid de Oliveira responde neste texto uma pergunta do leitor Rubens, que tem duvidas à respeito do cálculo do mapa natal de bebês prematuros. Confira as considerações do astrólogo sobre o assunto.)
Carrego uma dúvida há bastante tempo: se os astros têm tanto poder e influência sobre o ser humano, como acreditar que esta influência só se dá ao nascer da pessoa? Minha dúvida baseia-se num caso concreto: minha filha, hoje com cinco anos, nasceu prematura (oito meses de gestação), logo, antes do prazo definido como normal. Na verdade, o posicionamento dos astros de influência seria o do período natural de nascimento, ou seja, cerca de um mês após.
Considerando a existência de poderosa força de influência astrológica, como esta não ocorre então no momento da fecundação? É difícil crer que o ventre materno seja obstáculo real.
Agradeço sua consideração em responder minha questão.
Rubens, 38 anos, jornalista.
Caro Rubens, é com grande alegria que respondo suas ótimas perguntas. De saída, vejo que existe implícita, na primeira delas, a suposição de que os astrólogos acreditem, ou afirmem, que a ação dos astros sobre o ser humano "só se dá ao nascer da pessoa". Garanto que isto não é verdadeiro. Até mesmo porque não há teoricamente nada que impeça a existência ou a feitura de uma carta astrológica para o momento da concepção. Os obstáculos que atualmente existem, são de ordem prática, relacionam-se ao cálculo dessa carta astrológica e se referem à determinação do seu horário, que acredito, cedo ou tarde, poderão ser superados.
Já presenciei muitas vezes pessoas, que se opõem à astrologia, levantarem essa questão, como se esta possibilidade nunca tivesse ocorrido aos astrólogos ao longo de tantos séculos. Na verdade, existe farta literatura a respeito das tentativas dos astrólogos para resolver esse problema. E, mais lhe digo, alguns desses textos são mesmo muito antigos. Acredite, que regras detalhadas para a determinação astrológica do momento da concepção, visando montar o horóscopo desse instante, já existiam na época da composição dos textos do Corpus Hermeticum, (coletânea reunida por estudiosos neoplatônicos em Alexandria, no século III e que, em parte, se compunha de textos mais antigos). Mais recentemente, os teosofistas, e, mais tarde a dissidente daquele grupo, Alice Bailey, (quer tenham base ou não seus pressupostos), dedicaram um bom tempo à invenção de uma teoria e de um cálculo para épocas pré-natais, reais e simbólicas, que, imaginavam poderia implementar, (ou mesmo suplantar), o mapa natal comum. Em todo caso, confesso que ainda existe muita discussão entre os astrólogos a respeito da validade ou mesmo da necessidade de tais técnicas e dos mapas pré-natais.
Assim explicado, espero tenha ficado claro que, para a astrologia, a ação dos astros se dá também sobre o feto e interfere na sua formação. Aliás, é essa uma das premissas da hipótese explicativa para o fenômeno astrológico proposta, pelo famoso astrônomo Percy Seimour, que enfoca o mapa do nascimento como sendo indicador do momento de parada da ação dos planetas sobre a formação e desenvolvimento do feto. Se quiser saber mais sobre as hipóteses de Seimour leia o seu livro, Astrology: the scientific evidence. Existe tradução em português.
Peço, agora, que me acompanhe na resposta à segunda parte de sua pergunta, aquela que se refere ao problema dos partos induzidos ou prematuros e que compreendi desta maneira: uma criança cujo nascimento é induzido terá um caráter diferente do que teria se tivesse nascido normalmente?
Os astrólogos só podem responder afirmativamente a essa pergunta.
Por outro lado, note que é impossível saber a hora e, até mesmo, o dia em que supostamente sua filha nasceria. Assim, qualquer teoria, hipótese, ou mesmo opinião, baseada numa carta astrológica feita para momento tão indeterminado, está completamente fora de cogitação. Portanto, a carta astrológica utilizada pela astrologia é aquela calculada para o instante em que a circulação sangüínea se estabelece na criança de modo independente daquela da mãe ¾ que é quando o bebê chora e efetua sua primeira respiração. Alguns astrólogos chegam mesmo a afirmar que as informações sobre o feto e a gestação devem ser procuradas no mapa astrológico da mãe.
Mas, ainda existe outro forte argumento para apoiar essa conclusão. As pesquisas sobre astrologia realizadas por Michel Gauquelin foram, sem dúvida, as mais importantes deste século. Se duvida, consulte, por favor, Cosmic Influences on Human Behavior, (Aurora Press, New York, 1973), The Spheres of Destiny, (Corgi Books, London,1980) ou Writen in the stars, (The Aquarian Press, 1988), onde o senhor confirmará que aquelas investigações estabeleceram, de modo definitivo, a existência dos dois fenômenos abaixo:
a) primeiramente, a existência de relacionamentos planetários significativos entre os mapas astrológicos dos pais e o dos filhos nascidos de parto normal, (o que poderia se denominar uma espécie de hereditariedade astral). No entanto, o mesmo não acontece nos partos induzidos.
b) em segundo lugar, provaram a existência de uma correlação entre a personalidade e as posições de determinados planetas no instante do nascimento.
Resumindo: como é equívoca a objeção de que a criança não nasceu no dia que deveria, pois é impossível saber que dia seria esse, só nos resta dizer, apoiados nos dados incontestáveis de Gauquelin, que para sua filha, e para as crianças nascidas do mesmo modo que ela, a correlação entre certas características da personalidade e as posições planetárias do momento do nascimento real dela está mantida; por isso vale a carta astrológica calculada para o instante e lugar da primeira respiração.
Confesso-lhe que, apesar de acreditar que o mapa de prematuros deva ser calculado para o momento que descrevi, experimento uma sensação de que falta alguma coisa. Ou, dito de outro modo, existe, em mim, do mesmo modo que no senhor, a percepção vaga de que algo poderia ter sido, mas não se realizou completamente. Por falta de clareza minha a respeito de tão complicado assunto, peço socorro a Gauquelin, e sugiro que, segundo as pesquisas dele, o que se alterou, ou provavelmente se perdeu, talvez tenha sido a tal da hereditariedade astral.
Esperando pelos reparos e observações aos meus raciocínios, que por acaso me ache digno de ouvir, paro por aqui, deixando-lhe meu abraço amigo.
Sem mais, Cid de Oliveira.
Cid de Oliveira é astrólogo.




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