Porto do Céu - Astrologia Signos:
 
   



Ovos, máscaras e fogo
sobre Páscoa, Carnaval e Pentecostes

Cid de Oliveira - Astrólogo

A marcação das festas do ano cristão, segundo as regras do cômputo eclesiástico, parece estar guiada por técnicas de cálculo de inspiração astrológica, impregnadas pelos símbolos da sã astrologia. Uma indicação disso é o método de datação da Festa da Páscoa, que é calculada, "astrologicamente" para o primeiro domingo depois da primeira lua cheia após a entrada do sol no ponto equinocial, grau zero do signo de Áries, o cordeiro.

Do ponto de vista da astrologia, o ponto equinocial é o lugar em que se inicia um ano novo, pois o sol está no primerio signo, o de Áries, que simboliza "a ressurreição do ano anterior e a aurora de um ciclo novo. Este momento particular se caracteriza, como o amanhecer, pela ascensão e pela vitória do calor e da luz do sol. No equinócio da primavera, os dias e as noites se equilibram, mas, à medida que o sol avança no signo de Áries, a força do dia aumenta com uma intensidade crescente. (...) É nesse signo e através dele que o sol vence a luta contra a escuridão da noite."(1) M. Senard (2) concorda quando afirma que o signo do carneiro significa "o primeiro movimento da vida, explosão do germe, renovação incessante proveniente da potencialidade infinita". Em suma, o triunfo de uma nova vida sobre a morte.

Quanto ao simbolismo da primeira lua cheia do ano, ele pode ser enfocado, astrologicamente, de dois modos: primeiramente, desde um ponto de vista mais profundo, a lua cheia indica que o modo da inteligência propriamente humana alcança o seu máximo, pois cumpre integralmente sua função que é refletir o conhecimento espiritual, simbolizado pelo sol. Em segundo lugar, a lua cheia representa também a plenitude do materno, sua fecundidade e fertilidade, geração e nascimento.

Ora, é exatamente esse conjunto de significados astrológicos que entremeia os atributos cristãos da Páscoa, a festa principal, primeira e central da Igreja. De modo análogo ao triunfo do sol em Áries sobre a noite, a vitória do Cristo, sobre a morte e sobre o tempo, renova e regenera o antigo mundo e, como a lua cheia, engendra e inaugura uma nova vida. Leão I a denominou a maior das festas (festum festorum) e considerava o Natal apenas como uma preparação para ela, pois a ressurreição do Cristo, depois de seu sacrifício como o cordeiro de Deus, é a verdadeira pedra fundamental sobre a qual se assenta toda a fé cristã.

Com o passar dos séculos, vários outros símbolos foram se aglutinando coerentemente em torno desse significado central da festa e, dentre eles, um dos mais antigos é o ovo da Páscoa.

O ovo, símbolo da renovação
periódica da natureza
Como o jejum da quaresma proibia comer ovos, eles só voltavam a ser consumidos na refeição pascal. Nessa ocasião, pintados de vermelho, simbolizavam o renascimento da humanidade efetivado quando Jesus ressurgiu dos mortos. O nascimento do mundo a partir de um ovo é uma concepção comum a quase todos os povos. Ele é universalmente considerado como o receptáculo dos germes a partir dos quais se desenvolverá a manifestação, além de aparecer freqüentemente como um dos símbolos mais evidentes da renovação periódica da natureza. Por isso, muitos povos antigos o viam como o melhor emblema da vida que germina no começo da primavera. O simbolismo do ovo reafirma, portanto, de modo muito claro e completo, as principais características da Páscoa.

Essa festa, devido a seus atributos de início, centralidade e eixo gravitacional de toda vida cristã, foi escolhida como referência primeira para fixar todas as outras festas móveis do ano, entre as quais o carnaval e Pentecostes. Assim, o domingo de carnaval, conhecido como a qüinquagésima, é colocado 49 dias antes da Páscoa; e Pentecostes é celebrado 49 dias depois dela. Tudo em completa sintonia com o simbolismo do signo de Áries, do sol, da lua e os cálculos da astrologia.

Quando se examina as considerações anteriores, salta aos olhos a simetria temporal, em relação à Páscoa, existente entre as datas estabelecidas para a comemoração do carnaval e de Pentecostes. Cabem aqui duas perguntas: será que, como no caso da Páscoa, existe uma correspondência entre as características próprias de cada uma das festas e o simbolismo das épocas em que são comemoradas? E mais, será que a simetria temporal existente entre elas indica uma simetria de significados?



Ovos, máscara e fogo
Para saber mais:


Introdução

Símbolos
Aprofunde-se no significado das três comemorações

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