 |
 |

 
|

A Feiticeira do H é o Carma
O Karma
Cid de Oliveira
-
Astrólogo

Shiva Bhairava - Índia
|
É indiscutível que a lei do karma, tal como explicitada nos textos sagrados hindus, se relaciona com os ritmos celestes e, portanto, com as configurações planetárias estudadas pela astrologia. Tanto que, a astrologia na sua forma hinduísta e tibetana é exercida tendo como pano de fundo exatamente a lei do karma. O que é perfeitamente coerente, no âmbito dessas tradições orientais, pois essa lei se insere, harmoniosa e integralmente, no conjunto de outras concepções - como as de dharma, samsara, varna, etc.- que fazem parte da cosmovisão daqueles povos.
Indo direto ao assunto, lembro que o conceito de karma tem três acepções principais no oriente (1).
1- Karma é a ação primeira e original que dá origem à manifestação; é o arquétipo de todas as ações posteriores. Esse primeiro ato é a ação sacrificial de Purusha, o princípio ativo da manifestação, a partir da qual o mundo surge. Esta concepção acarreta que, tanto a manifestação cósmica como um todo, quanto o homem são em última instância karma. São ambos, no fundo, um conjunto complexo de ações e reações; de relações, portanto. Por isso, o Mundo e sua condição atual surgem como resultado de todas as ações e reações passadas.
2- Karma é a estrutura sutil da realidade temporal; é o que continua quando a aparência imediata dos elementos se dissolve ou é transformada. É o núcleo da pessoa que permanece e por isso transcendente a toda individualidade. É aquilo que todos os seres existentes têm em comum. A mensagem dos Upanishads acentua esse aspecto do karma, que também está subjacente em outra escolas como Yoga ou o Budismo (2), por exemplo.
3- Karma é karmamarga, isto é, uma via da ação correta, dos bons atos; um caminho para a liberação e realização da humanidade. A ação é inevitável e só não provocará obstáculos se realizada de modo correto e com um espírito correto. É exigido aqui um desapego dos frutos futuros da ação no momento mesmo de sua realização; e não uma negação ou desapego da ação ou dos atos. O Bhagavad Gita é o melhor exemplo dessa atitude.(3)
Dessas três visões a que nos interessa inicialmente é a primeira, que afirma ser o karma o conjunto das condições objetivas da circunstância, do Mundo, e que surge da totalidade de todas as ações passadas ¾ nossas, de nossos ancestrais, do meio social, etc. Assim, assumir o karma é simplesmente aceitar de modo inteligente a realidade em seu conjunto, ou seja, o estado atual de existência.
O problema é que um ocidental, criado num ambiente judaico-cristão, e naturalmente propenso, portanto, a enxergar as coisas desde seu particular ponto de vista, acaba por compreender a noção de karma segundo o critério de responsabilidade individual perante a um Deus criador, que é parte verdadeira do conjunto doutrinal de suas crenças, mas que não se harmoniza, de jeito nenhum, nem com o conceito verdadeiro de karma, nem com as outras doutrinas a ele associadas e muito menos com as suas conseqüências.
Quando um hindu ou um budista exercita a identificação consciente com o próprio karma, compreendido como um amplo tecido de ações e reações que em larga medida o transcendem, ele aceita as condições da existência tais como são e coloca-se numa posição totalmente diferente da postura tipicamente cristã de responsabilidade pessoal frente ao julgamento de um Ser superior.
|
Buda
|
Por outro lado, para o cristão o que realmente conta são os erros cometidos de modo consciente e voluntário, deixando-se de lado os erros praticados por automatismo, os erros dos outros seres e todas as ações forçadas pelas circunstâncias, segundo o exposto na doutrina dos pecados mortal e venial. Resumindo, no cristianismo não se leva em consideração, exatamente, quase tudo o que forma o karma para doutrinas hinduístas e budistas.
Apesar dessas diferenças gritantes, a mescla artificial do ponto vista religioso e sentimental cristão, de responsabilidade pessoal frente a um Deus criador, com a visão intelectual hinduísta do karma já distorcida pelo ponto de vista "ocultista" - que surgiu no ocidente no princípio deste século - se disseminou a tal ponto que faz parte hoje das crenças indiscutíveis das ideologias da nova era. Fabricou-se assim umcarma, ao gosto ocidental e moderno, vestido de adereços e atavios para lembrar o oriente, mas completamente diferente e até mesmo antagônico ao conceito hinduísta original de karma. E karman (4) virou carma. E, com uma força tão grande quanto seu coeficiente de ilusão, instalou-se na língua, nos usos e costumes.



|
|
|
 |

|

  |
O Karma
Conheça a verdadeira origem desta lei e as deturpações na interpretação do seu significado.
|




|




|  |
|
|
 |
|