Porto do Céu - Astrologia Signos:
 
   



A arte do diagnóstico:
descrição da personalidade do indivíduo

Cid de Oliveira - Astrólogo

O astrólogo delineia um perfil astrológico do cliente, a partir das posições planetárias do momento de nascimento. O astrólogo tem um insight do problema do cliente através do uso das técnicas astrológicas de interpretação que deveriam conduzir a conselhos de ordem geral e de base astrológica ou, talvez melhor, a intervenções de ordem pedagógica. É uma hipótese fundamental da Astrologia a correspondência entre os planetas e certas funções da psique humana. Podemos, portanto, a partir da interpretação do significado das posições planetárias, indicar determinados traços de caráter do indivíduo e compreender tanto seu comportamento como algumas de suas motivações.

Surgem aqui dois problemas.

O primeiro é: como reconhecer qual a porção, dentro conjunto complexo daquilo que denominamos personalidade humana, que corresponde à área de competência do mapa astrológico?

O segundo é: a falta de uma definição clara dos conceitos astrológicos de signo, planeta e casa, que tem como conseqüência confundir os significados atribuídos aos três.

Os manuais que descrevem os aspectos, as posições dos planetas nos signos, ou a dos planetas nas casas fornecem descrições muito parecidas para Lua na casa 2 e Lua em Touro, por exemplo; Marte em conjunção com Mercúrio com Marte em Gêmeos. Confunde-se reiteradamente mercuriano com geminiano, ou melhor, o planeta Mercúrio com o signo de Gêmeos. Ou Sol na casa 5 com o signo de Leão na cúspide da 5. Basta ler Howard Sasportas em As Doze Casas e atentar para o título do Cap. XX : Mercúrio, Gêmeos e Virgem através das Casas para perceber que esse título mesmo é uma confissão de quem não sabe diferenciar planeta de signo. A diferença entre aquilo que indica um signo, um planeta, uma casa, um aspecto é, ainda, matéria confusa no saber astrológico.

Mas surgem ainda dificuldades mais graves quando se consulta um manual de astrologia. As descrições das posições planetárias são quase sempre tão contraditórias como esta transcrita em seguida, onde os grifos são meus:

"Talvez Saturno na casa 7 busque um companheiro seguro, e às vezes o menos arriscado é aquele que não gera uma paixão enorme. Ou, como política de auto-proteção, é provável que escolham deliberadamente parceiros que considerem inadequados e incompletos em certos aspectos."

O exame desse texto de Howard Sasportas em As doze Casas - Saturno na sétima provoca a pergunta: - Mas, afinal, Saturno na casa 7 indica um companheiro estável e seguro ou inadequado e incompleto? Todas descrições de posições astrológicas fabricadas por todos os astrólogos seguem exatamente esse mesmo padrão do pode ser, pode não ser. A constatação desse fato nos coloca frente à tarefa de descobrir qual a interpretação, constante e comum, que se esconde por trás dessas descrições antagônicas.

Reconheçamos, também, que o mapa astrológico com seus doze signos; as doze casas; o Sol; a Lua; os cinco planetas tradicionais mais Urano, Netuno e Plutão; os diversos tipos de aspectos (26 segundo minha última contagem); nodos lunares; asteróides; Lilith; Kiron; as trezentas e tantas partes árabes; vertex; trans-plutonianos; pontos médios; roda da fortuna; graus simbólicos et caterva, é um desafio monstruoso às capacidades de análise, combinação e síntese de qualquer um.

Além disso, com tantas variáveis, o controle dos acertos na interpretação e a identificação de suas causas se torna extremamente problemático, pois pode-se sempre atribuir uma mesma interpretação a constelações astrológicas similares escolhidas ao gosto do freguês. Por exemplo: o indivíduo convencional, diferente, imprevisível, intenso emocionalmente, passional e apaixonado pode ser que deva esses traços, a um Sol em Aquário com Lua na casa 1 em Escorpião, ou pode ser que tenha um Ascendente em Aquário e Plutão em quadratura (ou oposição) à Lua, ou pode ser que Urano esteja cravado no ascendente junto com a Lua na casa 8 em Câncer, ou pode ser que não seja nada disto, mas um Sol de casa 11 oposto a Urano que faz parte de um T-square com Lua e Plutão, ou pode ser que ...

Outra dificuldade é o conhecimento, o domínio e o uso correto das regras do simbolismo. Todo símbolo verdadeiro tem, por definição, múltiplos significados coeridos todos pela mesma razão analogante. É essa variedade mesma de significados que faz da interpretação astrológica uma arte e de onde surge toda a riqueza de possibilidades interpretativas. Mas é comum confundir analogias verdadeiras com meras similitudes e, ainda, interligar planos de interpretação incompatíveis entre si, o que produz peças dignas do samba do astrólogo doido. Como por exemplo: Júpiter presente na casa 12 em Capricórnio e regente da casa 8. O delírio simbólico segue mais ou menos os seguintes passos: Júpiter = fígado; casa 12 = doença; Capricórnio = pedra; casa 8 = morte, é claro; logo, doença mortal devido a uma pedrada no fígado. O exemplo é caricato e exagerado mas, não está muito longe do que se pode encontrar em certos textos astrológicos.


Cid de Oliveira é astrólogo.



A consulta Astrológica
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Leia o texto "A consulta astrológica" na íntegra.






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