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Aconselhamento psicoterápico:
cuidado clínico
Cid de Oliveira
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Astrólogo
O aconselhamento psicoterápico permite ao cliente ter um insight do seu problema. Não é área astrológica e exige, portanto, que o astrólogo tenha a capacidade e a formação para aconselhar psicologicamente. Ou, no mínimo, conhecer e compreender os sistemas de psicoterapia existentes para fazer a indicação de um profissional daquela área adequado ao caso.
Lá, no íntimo de cada um, onde não podemos mentir para nós mesmos, somos obrigados a reconhecer que a eficiência do aconselhamento astrológico, quando ela existe, se deve não só ao saber astrológico estrito senso (aquele que consiste em saber interpretar ou ler a carta natal), mas também se deve, e muito, à boa vontade do cliente ávido por assegurar sua existência na escala cósmica, e disposto por isso mesmo a colaborar. O astrólogo está aqui na posição de dublê de psicólogo, muito mais incômoda e desafiadora do que a de duplo de astrônomo. Alguns astrólogos ao perceberem o enorme desafio que é o aconselhamento vão buscar apoio, também, no conhecimento filosófico que podem obter.
Assim, esta parte da consulta não é de modo algum astrológica e depende da formação, experiência e maturidade do astrólogo. Por isso temos a obrigação de colocarmo-nos, intelectual e criticamente, um pouco acima das crenças, ideologias e opiniões aceitas no nosso meio para diminuirmos a ação do condicionamento do mundo exterior sobre nós. É muito difícil escapar à influência envolvente do meio e das ideologias que o permeiam. O máximo que podemos fazer é nos manter sempre vigilantes e críticos, tentando nos livrar dos exageros.
Uma dessas idéias da moda, aceita e incorporada sem exame pelos astrólogos é a do autoconhecimento. É fundamental, para um bom atendimento, estar consciente de que, através da carta natal, não podemos responder à pergunta "quem sou eu", feita freqüentemente pelos nossos clientes. E é mesmo uma contradição de termos alguém querer vender (ou dar) autoconhecimento a outro. Só eu posso saber quem sou eu. Num mundo onde o verdadeiro autoconhecimento foi degradado, e tornou-se objeto de consumo e uma forma pedante de alienação, estimulada pelos livretos pseudo-esotéricos de auto-ajuda e pela divulgação de um orientalismo de quinta mão, é preciso que o astrólogo esteja ainda mais que atento para não se tornar um porta-voz inconsciente de tais coisas. É bom saber que autoconhecimento não é uma curiosidade que se possa saciar na consulta astrológica, ou através das psicoterapias inventadas pelo consumo, ou pela leitura do livrinho de conselhos piedosos compilados pelo mago no seu último best seller, ou mediante à sujeição cega a um dos gurus de plantão.
O autoconhecimento, tal como é compreendido atualmente pelos grupos ditos esotéricos, é anti-humano, já que pressupõe a anulação da vontade do indivíduo, que é exatamente a faculdade que o marca com sua humanidade, e que se expressa de modo pleno no ato livre. A vida é um a-fazer, ensina o grande filósofo espanhol, Ortega y Gasset. Nós é que a fazemos e criamos, e nenhum outro a vive por nós. A minha vida e a de cada um é o conjunto encadeado das conseqüências das decisões livres que tomamos a cada instante e pelas quais somos os únicos responsáveis. A prática livre do viver, atento e motivado por uma verdadeira compaixão pelo sofrimento dos seres, que acarreta obrigatoriamente a responsabilidade pessoal pelas conseqüências de cada ação praticada em relação aos outros, e em relação ao ambiente é que possibilita o autoconhecimento. E não essa introspecção preguiçosa, alienante e autocontemplativa, que se consome nos shopping centers esotéricos ou na pseudo-religião da moda. A pergunta não é, portanto, quem somos, mas quem queremos ser. Resposta, que só pode ser obtida pelo exercício inteligente da liberdade e da vontade, que não devem ser anuladas ou diminuídas, por nenhum meio, na consulta astrológica.
Cid de Oliveira é astrólogo.





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