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Lua - A nutriz das emoções
Stela Brito
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Astróloga
Uma forma de trabalhar suas necessidades emocionais, é através do conhecimento do signo ocupado pela lua no dia em que você nasceu. Você já deve ter se deparado com sentimentos de insatisfação, por se achar "vivendo em um mundo" que não alimenta seus anseios pessoais. Quando há uma desconsideração pelas suas necessidades lunares (encanto, magia, intimidade, sonhos), você pode perceber-se inseguro, distante dos seus sentimentos, separado da sua criança interior, incapaz de contatar com sua sensibilidade e sutileza.
Astrologicamente, a Lua descreve o modelo emocional da nossa alma, descreve como é nossa sensibilidade e receptividade e, também, como nos relacionamos com o feminino interior e exterior.
A busca pela proteção, intimidade, aconchego, segurança, o nosso modelo de família e a intensidade de ligação com o nosso passado pessoal são funções da Lua. É ela que nos mostra a nossa reação instintiva e irracional. Se estamos bem sintonizados com nossos sentimentos ou se, ao contrário, desenvolvemos uma instabilidade emocional, é a Lua quem indica, como também nossos hábitos pessoais, inclusive os alimentares.
É interessante que conheçamos a posição da Lua no dia do nosso nascimento para que possamos desenvolver as qualidades expressas por ela. Porém, mais interessante é ter o mapa do céu interpretado por um astrólogo, para que se tenha uma visão inteira da sua vida. Saber só a Lua, o Sol ou o Ascendente, não é suficiente para a compreensão total da nossa alma, para a realização dos propósitos que nos são colocados como missão de vida, para atingirmos o que nossa alma busca e precisa tão urgentemente realizar.
Se quando você nasceu, a Lua estava em Áries, por exemplo, você precisa de emoções fortes e de aventuras, tem necessidade de muito movimento e, logicamente, a rotina é um tédio para você. Já se a Lua está no signo de Virgem, sua necessidade é de uma rotina bem organizada, de cuidar do corpo e de ter contato com a natureza.
Não devemos desconhecer nossa essência lunar e, ao conhecê-la, não podemos negligenciar o atendimento de suas prementes necessidades.
A negação da essência lunar pode acarretar em doenças tanto físicas quanto emocionais. A pessoa que não nutre sua alma lunar pode, por exemplo, desenvolver quadro de depressão, de distúrbios no estômago ou do sistema reprodutivo. Pode tornar-se uma gulosa compulsiva e ansiosa. Quando a pessoa está insatisfeita emocionalmente, dissociada do alimento essencial e instintivo da sua natureza interior, opta por buscar fora um preenchimento inadequado para suprir suas necessidades. Daí se originam relacionamentos de dependência, neuroses, mágoas e ressentimentos.
A tendência é ir buscar nos outros a compensação pelas necessidades não atendidas internamente, projetando uma imagem vista sob um foco e desejo das outras pessoas. É aí que a coisa se complica, afinal de contas, só a própria pessoa pode reencontrar-se e curar sua criança interior, alimentando-a adequadamente. Há uma citação de C. Jung que traduz esse estado da alma: "O que quer que alguém tenha dentro de si mesmo, mas não vive, cresce contra si próprio... aquele que negligencia os instintos será emboscado por eles".
Se você não ativa e desenvolve a sua expressão lunar, haverá uma distorção de funções: a espontaneidade e a criatividade desaparecerão e o lado sombrio e frustrado prevalecerá, complicando sua vida ainda mais, já que, mal atendido emocionalmente, sua tendência é cometer erros, agir de modo infantil, inseguro ou sob extremo descontrole emocional.
Conscientize-se das suas emoções, instintos e necessidades, aprendendo a lidar com seus sentimentos e a expressar sua natureza emocional.
Alimente a criança que habita no seu santuário interno, dê-lhe a intimidade que ela precisa, abrace sua sensibilidade e aprenda com ela a poesia da vida. Aprenda, também e agora, com o poema de Cecília Meireles a ver a sua lua, a saber que ela está lá detrás das nuvens emocionais, esperando o alimento certo para que possa surgir com todo seu encanto, sensibilidade e esplendor. Gloriosa, como bem afirma Cecília no seu poema, que transcrevemos a seguir.
Vimos a lua
Cecília Meireles
Vimos a LUA nascer, na tarde clara.
Orvalhavam diamantes, as tranças aéreas das ondas
e as janelas abriam-se para florestas cheias de cigarras.
Vimos também a nuvem nascer no fim do oeste.
Ninguém lhe dava importância.
Parece uma pessoa solta - diziam.
Uma flor desfolhada.
Vimos a lua nascer, na tarde clara.
Subia com seu diadema transparente,
vagarosa, suportando tanta glória.
Mas a nuvem pequena corria veloz pelo céu.
Reuniu exércitos de lã parda,
levantou por todos os lados o alvoroto da sombra.
Quando quisemos outra vez luar,
ouvimos a chuva precipitar-se nas vidraças,
e a floresta debater-se com o vento.
Por detrás das nuvens, porém,
sabíamos que durava, gloriosa e intacta, a Lua.
Stela Brito é astróloga e contadora de histórias.




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